quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Da esquerda liberal

Resolvi escrever este texto depois de uma verdadeira aula de história que tive ontem com dois professores maravilhosos: Mário Carvalho e Vera Tufik.
Eu, que me intitulava anarquista, pensei bem e vi que este era um ideal utópico. Nenhum outro país adotou essa anti-política, e aqui no Brasil então, isso seria um sonho jamais realizado.
Foi então que me intitulei: sou da esquerda liberal, depois de uma frase que ouvi do Mário, o amigo historiador: “Você sempre foi da esquerda e não sabia”.
Sempre prestei serviço para o governo como mesária voluntária (inclusive este ano fui até promovida para Primeira Secretária, daqui a pouco então, me promoverão a Presidente – assim espero).
Ser mesário – ops! Primeira Secretária agora – é uma experiência interessante. O volume de conhecimento adquirido é imenso, devido às histórias que escutamos dos eleitores. E parece que enfim eu vejo que faço diferença na sociedade prestando tal serviço. Vi sentido na coisa!
Percebi que o meu conceito a respeito do voto mudou significativamente. Eu, que pensava em votar nulo em todas as categorias, decidi com muito conhecimento meus candidatos.
Para presidente, Dilma Russef . Falando nisso, eu que já tinha raiva da Globo, tomei ainda mais antipatia depois que vi o Willian Bonner tentando a todo custo detoná-la em rede nacional. Mulher de luta, que em plena época da ditadura militar lutava à favor da democratização brasileira. Merece meu voto, como mulher e pessoa. E tenho certeza absoluta de que todo brasileiro a favor da verdadeira democracia, votará nela também. Mulher que enfrentou a mesa de tortura por lutar a favor de um ideal revolucionário “Sob tortura, não há ser humano que se cale”
Não estou aqui para fazer propaganda de ninguém. Ao contrário, passar um pouco de conhecimento para quem, que como eu, era revoltado em relação a política.
O ocultismo existente por trás da política é tão grande, que dá pra revoltar mesmo quando as cartas são jogadas na mesa.
Agora, falando em nossa região, me indignei ao ver um certo candidato que só de ouvir o nome dele já me arrepiava de antipatia. Será que citar nome é proibido?
Ah... existem tantas “eiras e beiras” por ai, que este que estou citando é só mais um no meio de vários.
Em plena democracia brasileira, que lutaram muito para conquistar, o sujeito propõe o nome “RONALDO DE SOUZA”, para o atual Viaduto da Prainha.
Ronaldo de Souza é um ex-torturador que na época militarista enfei(t)ava os porões da Ditadura Militar. Como votar em um candidato que tem por ídolo um sujeito como este? Não tem nem como acreditar que ele se candidatou. Pra quem é a favor de um “eira” desse, leia o livro “Tortura nunca mais” e fique um mês sem dormir.
Se eu pudesse fazer uma pergunta à ele, seria: “Por que você não espera seu ideal militar chegar ao Brasil para que você se candidate a presidente? Você e sua corja dominariam bem, pois vocação pra isso você já tem” .
Falando em democracia, (democracia mesmo?), comecei a pensar que este não passava de um ideal ainda não conquistado por completo. Ainda vai demorar uns bons anos para que ela se concretize.
Fala-se muito em liberdade de expressão, e eu não tenho liberdade de escrever um texto sobre uma pessoa pública altamente prejudicial para a sociedade sem medir minhas palavras. A censura existe. Existe e reina!
Aliás, existe para o lado mais fraco que somos nós humildes cidadãos e pseudo-escritores. Sou poluída áudio-visualmente o tempo todo, o dia inteiro com musiquinhas ridículas de partido que não quero escutar e tenho que varrer a varanda da minha casa de tanto panfleto que jogam. No entanto, tenho que medir palavras na hora de escrever.
Como disse, meu conceito a respeito do voto mudou. Meu voto fará diferença e gostaria muito que cada um de nós pensasse nisso, mas pensasse profundamente e estudasse a história brasileira para entender o contexto em que vivemos, ao invés de se deixar levar por campanhas que invadem nossa mente em tempo integral.
Acredite: faz diferença e muita!

Fabyola Gleyce

6 comentários:

  1. Puta que pariu, vc escreve muito

    Abraços e parabéns pela crítica.

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  2. Estou de boca aberta até agora. Linda, inteligente, escritora e ainda entende de política. Menina culta e ousada, que tem auto-confiança para escrever o que bem entende.
    Já estava com saudades dos seus textos, tenho a ti, pequena escritora, como um ícone de jovem brasileira. Ideais revolucionários muita gente diz que tem, mas na hora de expô-los, todos se calam.
    Parabéns pela coragem. Continue com essa ousadia, pois é disso que se constrói um bom escritor.

    Abraços de seu fã

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  3. BYOLA, DISSE TUDO AÍ!

    TRISTE É QUANDO AS PESSOAS SIMPLESMENTE VEEM AS ELEIÇÕES COMO UM JOGO DE XADREZ, ONDE DEVE-SE ESCOLHER A PEÇA QUE LHE PARECE A MAIS BEM COLOCADA NO TABULEIRO POLÍTICO... TEMOS QUE NOS DAR A CHANCE DE ESCOLHER O CANDIDATO QUE NOS AGRADA, QUE TEM PASSADO POLÍTICO LIMPO E UM HISTÓRICO DECENTE, NÃO APENAS POLÍTICA DE BAIRRO E FUNDO DE QUINTAL, TEM QUE SER GENTE QUE LUTA PELOS DIREITOS MUITO ANTES DE CHEGAR A UM CARGO POLÍTICO! E GENTE HONESTA, PRINCIPALMENTE, A QUEM CONFIAR O VOTO...

    ESCREVENDO CADA VEZ MELHOR, LINDA! BJOS

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  4. Adorei o "ENFEI(T)AVA.
    Já li o livro "Tortura nunca mais" e sinceramente até hoje fico chocada quando me lembro de certa partes.

    Abraços e parabéns pelo texto

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  5. Fabiola, entendo vc pq o pensamento que vc tinha eu ainda conservo. Também tenho minha opinião formada. Eu uso como forma de protesto o voto nulo ou o voto em um candidato fraco que sei que não vai ganhar. A minha revolta aumentou quando recebi um e-mail sobre o valor do voto nulo. Consultei o codigo eleitoral e ví que o voto nulo tem seu valor, mas a justiça eleitoral nunca divulgou isso. Prova disso é que na urna eletronica tem tecla de voto em branco e não tem tecla de voto nulo. Mas eu já sei a muito tempo como anular um voto. Será que um dia eu, vc e muitos outros poderemos expressar nossa revolta sem sermos processados neste país que se diz democrático e com liberdade de expresssão ?
    Abç
    Tô na comunidade.

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  6. Bacana sua opinião, acho interessante essa questão, problemática por um lado. O voto nulo pode ser visto como uma forma de protesto, mas será que é isso que queremos? Ouvi uma vez a seguinte frase só como adendo a questão - " Prefiro mil vezes um congresso vagabundo e um senado vendido numa democracia liberal, que um ditador seja qual for no poder".

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