sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Desabafo apenas

Nossa...
Uma página em branco na minha frente, ouvindo a doce voz de Renato Russo e meio dopada. Não sei o que vai sair. Seja o que Deus quiser.
Hoje foi um dia chato. Um daqueles dias que a gente tira pra tomar noção das coisas. Sou (ou estou?) intolerante demais ao mundo. Nada parece estar bom.
A sorte é que amanhã terá um show do Raimundos couver aqui. Alivia a pressão interna.
Queria hoje apenas a companhia de Renato. Dá raiva saber que ele se foi sem me conhecer. Trocaríamos umas boas idéias. Sim, sou fanática. Ah meu Renato... deixe-me escrever para você. Minha papola da Índia...
Eu quero um dia de sol num copo d`água.
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De repente percebo que não existem mais tristezas ou mágoas. É como se minhas lágrimas estivessem secado. É como se eu perdesse o dom de chorar. Desde julho que não choro. Sinto-me suja por dentro. É como se as lágrimas me limpassem. E não as tenho mais. Claro...eu sei o motivo. Mas expô-los seria desnecessário. Mas descobri que é possível não chorar quando se está triste.
Acho eu que na verdade, estou me tornando uma panela de pressão a ponto de explodir. Não sei o que será de mim quando resolver voltar a ser humana.
Estou sendo máquina.
Uma máquina fragmentada. Uma máquina. O que fiz de minha própria vida? De repente percebo que tornei-me um projeto meu. Esta mania de ser engenheira.
Acho que é por isso que a maioria dos escritores morrem pobres. Só existem loucos.
Ah falsa matemática dos amantes...
Não estou afim de ouvir a voz de ninguém. Nem de ver ninguém. Não estou afim de mim. Eu quero um dia de sol num copo d`água.
Paro por um segundo e penso. É como se eu estivesse materializando meus sentimentos. Estou me sentindo angustiada, mas impedida de chorar. Estou cansada. Acabei de ouvir a frase de Raul “...pena eu não ser burro. Assim não sofreria tanto...”. Ah Raul...
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Parei de beber. E me questiono: para agradar quem? Não sei se foi a mim.
Hoje é o típico dia que eu preciso de um wisque com energético e não posso tomar porque me proibi. Ah Fabyola...
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Acabei de dizer uma frase que repetirei agora: estou cansada dessa maldita maratona capitalista que tenho que enfrentar dia após dia, das normas que tenho que seguir calada...sou ridícula demais. Sinto-me um personagem de Fernando Pessoa “...eu que tenho sofrido enxovalhos e calado. E quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda”. Como existem bons poetas...
Bons poetas e bons psicólogos. Um amigo meu acabou de me diagnosticar e vou dizer sério: economizei uma sessão de terapia.
Minha sede de vitória as vezes me cega.
Não sei o que será de minha vida no futuro, mas sei que tenho que construir as bases agora. Será que estou fazendo do jeito certo? É isto que me incomoda.
Sei que chegarei a algum lugar, apesar desta complicação de sentimentos. Seria mais fácil se eu visse o mundo apenas como o mundo, sem nenhum vinculo afetivo. Gostar é difícil. Gostar das coisas é difícil. Estou me tornando fria. Meu namorado reclamou comigo. Bem...é meu momento agora.
Quer saber? Foda-se esse mundo hipócrita. Frase de adolescente? Pode ser...
Mas foda-se o mundo mesmo. Cansei de ser marionete de um sistema cheio de falhas e ter que ficar calada...ah santo dom do desabafo pela escrita...
Por hoje é só...pode ser que amanhã eu mude de idéia em relação ao mundo, mas por hoje...foda-se tudo.

Fabyola Gleyce

2 comentários:

  1. fabyola linda..seu nome nao devia ser substantivo..e sim verbo.

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  2. A gente consegue achar graça nas coisas da vida, mas cada dia é um dia, são poucas essas que nos fazem querer dizer que a vida é boa de se viver.

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