
5:05 pm.
Fora a hora escolhida forçosamente pra ir ao encontro de um ídolo: Ozzy Osbourne.
Pensamentos a velocidade da luz, coração acelerado e um frio interior simplesmente indescritível. Minha energia não poderia ser calculada por E=mc2.
A mente pulsava mais rápido que meu pulso. Iria encontrar o “Príncipe das Trevas”, e por alguma razão, a minha fantasia adolescente-negra levava-me a crer que o rei Ozzy, sabia que eu estaria ali.
O que me passava a mente era a teoria da relatividade de Einstein. De repente transformei-me em energia. Já não era matéria.
A sensação pode ser descrita levando em conta o principio de Einstein a respeito da teoria sub-atômica, a qual prescreve que estas estão sempre em movimento. O corpo ao morrer é entregue de volta ao universo que o gera, este universo que nada mais é além de um coquetel de partículas responsáveis por fundar a matéria física.
Teria, assim então, a possibilidade de eu ter me encontrado com as partículas sub atômicas de Ozzy em algum tempo? Se não, eu teria hoje, a experiência de poder trocar alguns elétrons com o “Príncipe das Trevas”, tomando apenas o cuidado (apesar de não saber ser possível) de algum elétron existente em mim absorver tanta energia e realizar um salto quântico, liberando-a em forma de luz. Já diziam: Luz e trevas não combinam. E eu não queria descompor o cenário osbórnico.
Viagem ou não, estes são pensamentos que agora preciso colocar em ordem.
Calça preta, blusa preta e uma sandália preta estilo gladiadora que atrevia-se a se sobrepor a calça. Rosto pálido, olhos negros e na boca, sangue, cujo nome genérico é batom. A jornalista, escritora, engenheira que existe em mim, morrera, e dera lugar a adolescente de espírito rebelde que sempre fui.
Eu, adolescente agora, voltara a tona, reencarnada na mulher que me tornei.
Hoje eu tinha poder para desafiar todo o sistema, a minha voz calaria o mundo se eu quisesse, e não precisaria de uma palavra sequer. Pela primeira vez, em anos, eu enxergava novamente a sociedade medíocre em que vivemos, e por alguma razão eu me achava no direito de não pertencer a ela.
O olhar condenativo e de reprovação dos seres que me cercavam era bom. A cada passo meu, as pessoas se esquivavam e davam-me licença sem que eu pedisse, como se eu estivesse contaminada. E estava. Pelo vírus Ozzy Osbourne.
Mochila nas costas, alguns trocados, e de companhia apenas esta folha de papel e caneta preta que neste momento me era a coisa mais valiosa.
A menina da lanchonete dera-me isso, e eu pude ver em seus olhos, o medo de estar diante de uma pessoa que vestia o próprio luto, segundo seus pensamentos fúteis. Talvez, na mente daquela garçonete, eu escreveria nesta folha, a qual estou economizando até as linhas, a minha carta de suicídio.
Mas não. Eu escreveria vida. E a descrição do sentimento de viajar só, sem saber o que me esperava.
Eu veria Ozzy Osbourne. Sua imagem enfim sairia do disco de vinil que meu pai me dera aos 13 anos, e estaria bem ali, na minha frente.
09/04/2011. O dia que minha vida ficaria marcada para sempre.
Fabyola Gleyce
Minha pequena escritora,
ResponderExcluirQuanta saudade estava eu de ti, dos seus textos...tenho entrado praticamente todas as horas em seu cantinho, e vi que vc não está passando uma fase legal não é mesmo?
Mas tenho que te dizer, mesmo não te conhecendo pessoalmente, sinta-se abraçada por este fã incondicional que você tem.
sobre este texto, não poderia defeini-lo com outra palavra: Fantástico. Bela definição. Descrever ma emoção é tarefa praticamente impossivel, pois é algo que vai além da compreensão de muito.
Minha pequena poeta, como quero ler mais você. Seus textos são combustíveis para meu dia a dia. Não me deixe sem eles.
Amo você.
Ah Carlos...quem dera eu ser tudo isso que você define em palavras tão belas. Não passo de uma personagem sendo usada por palavras, e nada além disso.
ResponderExcluirObrigada pelo carinho.
Minha rainha das letras, amo você
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