terça-feira, 26 de abril de 2011

Ozzy Osbourne X O Princípio das Partículas Sub-Atômicas



5:05 pm.
Fora a hora escolhida forçosamente pra ir ao encontro de um ídolo: Ozzy Osbourne.
Pensamentos a velocidade da luz, coração acelerado e um frio interior simplesmente indescritível. Minha energia não poderia ser calculada por E=mc2.
A mente pulsava mais rápido que meu pulso. Iria encontrar o “Príncipe das Trevas”, e por alguma razão, a minha fantasia adolescente-negra levava-me a crer que o rei Ozzy, sabia que eu estaria ali.
O que me passava a mente era a teoria da relatividade de Einstein. De repente transformei-me em energia. Já não era matéria.
A sensação pode ser descrita levando em conta o principio de Einstein a respeito da teoria sub-atômica, a qual prescreve que estas estão sempre em movimento. O corpo ao morrer é entregue de volta ao universo que o gera, este universo que nada mais é além de um coquetel de partículas responsáveis por fundar a matéria física.
Teria, assim então, a possibilidade de eu ter me encontrado com as partículas sub atômicas de Ozzy em algum tempo? Se não, eu teria hoje, a experiência de poder trocar alguns elétrons com o “Príncipe das Trevas”, tomando apenas o cuidado (apesar de não saber ser possível) de algum elétron existente em mim absorver tanta energia e realizar um salto quântico, liberando-a em forma de luz. Já diziam: Luz e trevas não combinam. E eu não queria descompor o cenário osbórnico.
Viagem ou não, estes são pensamentos que agora preciso colocar em ordem.
Calça preta, blusa preta e uma sandália preta estilo gladiadora que atrevia-se a se sobrepor a calça. Rosto pálido, olhos negros e na boca, sangue, cujo nome genérico é batom. A jornalista, escritora, engenheira que existe em mim, morrera, e dera lugar a adolescente de espírito rebelde que sempre fui.
Eu, adolescente agora, voltara a tona, reencarnada na mulher que me tornei.
Hoje eu tinha poder para desafiar todo o sistema, a minha voz calaria o mundo se eu quisesse, e não precisaria de uma palavra sequer. Pela primeira vez, em anos, eu enxergava novamente a sociedade medíocre em que vivemos, e por alguma razão eu me achava no direito de não pertencer a ela.
O olhar condenativo e de reprovação dos seres que me cercavam era bom. A cada passo meu, as pessoas se esquivavam e davam-me licença sem que eu pedisse, como se eu estivesse contaminada. E estava. Pelo vírus Ozzy Osbourne.
Mochila nas costas, alguns trocados, e de companhia apenas esta folha de papel e caneta preta que neste momento me era a coisa mais valiosa.
A menina da lanchonete dera-me isso, e eu pude ver em seus olhos, o medo de estar diante de uma pessoa que vestia o próprio luto, segundo seus pensamentos fúteis. Talvez, na mente daquela garçonete, eu escreveria nesta folha, a qual estou economizando até as linhas, a minha carta de suicídio.
Mas não. Eu escreveria vida. E a descrição do sentimento de viajar só, sem saber o que me esperava.
Eu veria Ozzy Osbourne. Sua imagem enfim sairia do disco de vinil que meu pai me dera aos 13 anos, e estaria bem ali, na minha frente.
09/04/2011. O dia que minha vida ficaria marcada para sempre.

Fabyola Gleyce

3 comentários:

  1. Minha pequena escritora,

    Quanta saudade estava eu de ti, dos seus textos...tenho entrado praticamente todas as horas em seu cantinho, e vi que vc não está passando uma fase legal não é mesmo?
    Mas tenho que te dizer, mesmo não te conhecendo pessoalmente, sinta-se abraçada por este fã incondicional que você tem.

    sobre este texto, não poderia defeini-lo com outra palavra: Fantástico. Bela definição. Descrever ma emoção é tarefa praticamente impossivel, pois é algo que vai além da compreensão de muito.

    Minha pequena poeta, como quero ler mais você. Seus textos são combustíveis para meu dia a dia. Não me deixe sem eles.

    Amo você.

    ResponderExcluir
  2. Ah Carlos...quem dera eu ser tudo isso que você define em palavras tão belas. Não passo de uma personagem sendo usada por palavras, e nada além disso.

    Obrigada pelo carinho.

    ResponderExcluir
  3. Minha rainha das letras, amo você

    ResponderExcluir