E imaginar que eu já chorei tanto por outras pessoas, já fiz esforços imensos para fazer o outro sorrir, já abri mão dos meus sonhos, desejos e vida em pró de outro... já me estagnei em um lugar, e aprisionei-me em sentimentos horríveis e tristes...imaginar que eu, algum dia, não me conhecia o suficiente para me suportar...que tinha medo de mim por não saber quem sou...
Imaginar que hoje posso me olhar, e ter a capacidade de me amar, de ver o dia nascer e ter o prazer de levantar da cama e ir trabalhar...de ter o prazer também e a certeza de que a noite vai chegar e meu sono vai vir naturalmente, e respeitarei meu organismo com uma boa dose de sono...
Hoje não consigo lembrar do que eu escondi de mim mesma durante 23 anos...
Foi difícil admitir e reconhecer que eu precisava me consertar por dentro, para me sentir livre...foi difícil não condicionar minha felicidade e minha vida à outra pessoa. Foi dificil aprender a conviver comigo. Foi difícil perceber que eu preferia disfarçar a encarar e resolver...
Sempre persegui o auto-conhecimento e por um instante achei que isso era coisa de quem não tinha o que fazer, simplismente porque eu queria achar um atalho, e não estava disposta a enfrentar o processo que me levaria a ele...doía demais. Hoje vejo que se tenho capacidade de escrever sobre isso, é porque, no mínimo, estou na direção certa.
Quando entrei naquele ônibus, e percorri 1400km, eu não sabia o que me esperava. Quando desembarquei, já em outro estado, a hostilidade das pessoas me fizeram chorar e querer voltar...mas voltar pra onde? Eu nunca tive um lugar!
Eu tive a opção de ficar e descobrir o novo, ou voltar para a acomodação de tristezas em que vivia. Escolhi a primeira opção, e embora tenha sido muito doloroso, o novo que descobri, foi uma pessoa maravilhosa que eu desconhecia ou escondia de mim mesma. Estou aprendendo a me conhecer dia após dia. Estou aprendendo a travar batalhas comigo mesma, e principalmente, aprendi que a solidão pode ser muito boa, desde que eu não me abandone. Estar sem ninguém, não é sinônimo de estar sozinho. É muito bom dizer que sou a minha melhor companhia. Se eu queria fugir de algo, eu consegui fugir apenas da imagem que eu era, e encontrei a mim mesma, tal qual como sou, mas nunca soube. E isso não tem preço. Eu faria tudo de novo.
Estou muito orgulhosa por estar descobrindo quem eu sou realmente e ainda mais feliz por estar enfim, conseguindo descobrir onde estão as raízes de tudo o que vivi até hoje. Acredito que estou, enfim, de encontro com minha paz interior.
SEJA BEM VINDA, VIDA!
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