Se eu tivesse que responder em um segundo qual o meu hobbie, sem pensar duas vezes, eu responderia que é fazer yakissoba.
Não lembro de mais nada que me de tanto prazer do que fazer esse prato simples, mas de um gosto incrivelmente bom. Na verdade, pra mim o yakissoba tem um significado especial. Quem me ensinou essa arte foi a pessoa que mais amei em toda minha vida, mas que o destino levou pra longe.
Todos os detalhes na hora do preparo me lembram uma fala ou gesto desse meu amor, hoje platônico.
A começar pelos ingredientes: macarrão (“Fabyola, existe o macarrão próprio pra fazer yakissoba. Compre esse de pacote verde” – e apontava o macarrão em uma das prateleiras do supermecado ). Cenoura, cebola, repolho, pimentão (“Fabyola, se não tiver o pimentão de todas as cores, não tem graça. Pegue um vermelho, um verde e um amarelo. A gente corta ele em tamanho maior, porque eu sei que você não gosta”), couve-flor e brócolis (“Fabyola, a couve-flor e o brócolis tem época certa pra comprar. Eu gosto de comprar quando estão na época certa. Nesses supermecados a gente nunca encontra uns de aparência melhores. É melhor procurar em feiras, porque lá é tudo fresquinho”).
Depois era hora de escolher as carnes. “Fabyola, o ideal é ter os três tipos de carne:porco, boi e frango. Mas sem gordura por favor”.
Então vinha a hora de escolher o molho shoyu que sempre era o de embalagem de vidro “ Fabyola, não vamos comprar esse maior não, porque lá em casa tinha um vidro grande, mas como eu usava só vez ou outra, acabou estragando. E eu tenho tanta dó de ver as coisas estragarem por falta de uso. Fica lá na geladeira mofando porque eu nunca cozinho em casa”. E por fim vinha o detalhe que dava todo o diferencial: o óleo de gergelim “Esse óleo dá toda a diferença. Ele tem um gosto diferente sabe, que dá um toque diferenciado. Se a gente não usar esse óleo, não fica completo”. E eu atenta, ouvia e obedecia.
Pronto. Escolhíamos tudo perfeitamente calculado. Da forma que ele achava perfeito. Então íamos para a casa colocávamos um cd que ele sempre escolhia e íamos para a cozinha. Eu colocava o macarrão pra cozinhar, enquanto ele lavava os legumes. Eu picava a carne –“Fabyola, pique em tirinhas pequenas, pra que se misture bem com os outros ingredientes”, e ele picava os legumes. O pimentão em rodelas perfeitas, o repolho bem fininho, e os outros ingredientes em tamanho menor. Eu colocava a cenoura pra cozinhar, enquanto ele me mostrava orgulhoso a panela própria pra yakissoba que havia ganhado outrora. Eu o olhava com um sorriso nos lábios. Gostava de o ver feliz.
Então era hora de fritar as carnes. Sempre, claro, usando o óleo de gergelim pra dar o toque diferente. Então juntava o resto dos ingredientes enquanto ele, perfeccionista, escorria a água do macarrão que havia sido cozido. “Fabyola, o segredo é não deixar o macarrão cozinhar demais, senão ele fica muito mole e quebra todo quando a gente for misturar”.
Misturávamos tudo em sua panela mágica, e dosávamos bem o shoyu.
Servíamos nos nossos pratos simples, com talheres simples. E éramos felizes. O Yakissoba me traz essa lembrança boa, de um tempo perfeito. Ele me faz lembrar do sorriso lindo que via no rosto dele, e da sua sinceridade ao elogiar o tempero ou algo simples assim. É a minha comida preferida, pois me sinto perto dele quando cozinho.
Ele se foi. Fisicamente, saiu da minha vida. Mas continua aqui dentro, intacto, e que superou todas as ações do tempo. Ficou em meu coração de modo a tomá-lo por inteiro.
Fazer yakissoba é uma arte. E digo sem titubear que o melhor tempero que eu poderia usar, é sim o amor. O amor que fisicamente se foi. Mas que estará eternamente junto de mim.
FABYOLA GLEYCE
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Fabiola, voce é uma pessoa tão apaixonada. Quem é dono desse amor todo que você sente?
ResponderExcluirExcelente, na verdade é uma verdadeira receita de yakissoba hahaha
ResponderExcluirvou experimentar fazer pra minha mulher seguindo os mesmos detalhes
abraços flor
Bacana que você aprendeu a fazer muito bem...
ResponderExcluirtb acho, o Yakissoba é o que eu faço de melhor rsrsrs...todo mundo q já provou gostou muito!
ResponderExcluirtudo que é feito com amor, fica bom neh...
se eu te disser que caiu uma lágrima, acredita? caiu porque foi teimosa, por mim teria ficado presa aqui dentro. Mas tudo isso que vc descreveu, me fez lembrar de um amor que eu quis e não tive.. não tive por pressa..ou por imprecisão do tempo..nao sei...
ResponderExcluira proposito...acho que conheço voce.
Acredito sim...as vezes tento escrever de forma impessoal, e usar só a razão, mas na maioria das vezes quando acabo estou afogada em lágrimas rsrs....
ResponderExcluirSe vc me conhecer se apresente, pra gente trocar ideia...abração