quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Um bom vinho e meu Renato

Ouvir Legião Urbana as seis da tarde depois de um expediente chato, ou no decorrer do dia durante o expediente chato, ou de madrugada durante uma insônia insuportável, se tornou meu hábito.
Antes, o Legião era apenas a minha banda da adolescência. Eu era uma das poucas do meu grupo que não ouvia sertanejo. Adorava Eduardo e Mônica.
Quando me tornei adulta, essa banda passou a fazer ainda mais parte da minha vida. E prestando atenção nas letras, tenho a impressão de que Renato as escreveu pra mim. Deve ter pensado: “Um dia alguem vai ouvir minhas letras, vai entende-las, e vai se apaixonar por mim”.
Bem, isso aconteceu. Digo sem medo que depois do Jim, o Renato foi meu amor maior. O amor da compreensão, que escreveu poesias que sempre vem de encontro a mim.
Ouvir o Renato cantar, é como entrar em um universo paralelo. E quando suas musicas são regadas com um bom vinho, a historia fica ainda mais complexa. É possível excitar-se, chorar, rir e ver que alguém passou por situações semelhantes as que passo agora. Musicas essas que me tranqüilizam em momentos de surto.
É como se eu ouvisse: “Olha, eu passei por isso, e em vez de me entregar, eu as escrevi, pra que você pudesse tirar algo de bom”.
A forma dele letrar o cotidiano me faz achar forças pra resistir a certos impulsos. Renato era um louco. Um louco amante, de palavras belas, autor de uma melancolia poética. Adorava letrar o que via. Renato via alem da realidade. Contas bancarias, IPTUs, buscar filhos na escola são situações rotineiras pra nós mortais inúteis. Pra ele era letra. Letra, musica e arte.
Renato via o caminho quando estava escuro. E hoje ele me traz essa luz que não o deixava cair. Tem certos momentos que quero apenas ficar sozinha. Livre de todos e de mim. Livre de pensamentos, de surtos e psicoses.
Quero apenas um vácuo onde caiba eu e Renato. Ah, Renato...
Faz-me rir ao desejar um homem e deixar isso claro pra mim. E faz-me bem ao não conseguir definir o seu sentimento pelo mundo. Também me sinto assim.
Gosto quando ele olha pra mim e diz que sempre existe um caminho. Gosto quando ele se sente sozinho, perdido. Quando ele não quer ser ele mesmo. Gosto quando ele vem de encontro a mim e diz que quer apenas conversar. Gosto de ouvi-lo.
Gosto da serenidade da sua voz. Gosto de sentir sua loucura. Me da forças pra permanecer sozinha.
Eu quero a minha flor da Tailândia. É a única coisa que tenho de suave e certa.
Renato em ensinou a ser minha própria líder. Minha vida sempre espera algo bom e útil de mim. As vezes não consigo isso. Sou uma copia do que faço. E tenho apenas o que resta. Quero demais.
Adoro meu descontrole. Adoro esse momento em que minha mente se apaga e saio do meu corpo. Adoro me assistir de longe e ver meus atos e ações. Que vontade de rir. Adoro essa confusão de idéias que sinto agora, nesse momento presente. Odeio clichês. Odeio a mim mesma quando uso algum clichê. Um dia desse ainda invento meu dicionário.
Cada líder com seu próprio trinta e oito. Eu quero um dia de sol num copo d’água.
Adoro me ver escrevendo de frente a um papel. Adoro ver como me comporto perante varias situações. Adoro meu comportamento humano-personagem. Adoro me ver escrevendo.
Adoro ver Renato do lado dessa falsa escritora ditando a ela as palavras a serem escritas. E amo quando ninguém entende minhas palavras. Hahaha!
Adoro o gosto do blues cantado de forma melancólica por sua voz. Faz-me dormir bem e ter sonhos bons. Ah, meu joelho dói.
Gosto de me ver de longe...hahaha...gosto de ver um sorriso estampado no meu rosto como sinônimo de quem não sabe o que faz. Hahaha...sou uma cópia do que faço. Minha papola da Índia...
Escrevo pra mim. Existe um descontrole que me corrompe e me faz crescer...
Ei Fabyola, sai do transe. Hahaha...e respondo apenas que não consigo.
A viagem só cresce, e o que sai de mim não é de autoria minha. Êxtase absoluto, regado a...qualquer coisa que não tenha significado. O resto são escombros...
Cada criança com seu próprio canivete,e cada poeta com suas próprias palavras.
Eu quero um copo cheio ate a borda com um wisque barato.
E quero Renato ao meu lado. Entro em um mundo de vibrações diversas. Não consigo sair. Não consigo parar. Começo escrevendo na primeira pessoa e termino com palavras que não estão sendo minhas...ah Renato...
Permita-me voltar pro meu mundo agora, permita-me terminar isso, que intitula-se “Um bom vinho, e meu Renato”. Obrigada pela inspiração.
Será que eu sou capaz de enfrentar o teu amor, que me traz insegurança?

FABYOLA GLEYCE

5 comentários:

  1. psicodelia...vc saiu do seu corpo pra escrever isso? é o que parece..
    abraços e meus parabéns sinceros.

    Carlos A.

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  2. Marco Antonio Peixoto14 de janeiro de 2010 às 11:35

    doido demais...gostaria de publicar isso um dia. Poste ele la na comunidade qualquer dia desse. inspiração aguda.estava sã?

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