
Acho que antes de começar a escrever, faço uma pergunta talvez apenas para mim mesma: Existe no planeta algum ser que respire que te faça se sentir especial todos os dias e todas as horas e minutos?
Se a resposta pra maioria foi “Não”, eu digo o contrário.
Existe. E no meu caso ele se chama Luppy. Meu Luppy.
14 anos, quase 15. Pêlo dourado com algumas partes pretinhas, e mais ou menos uns 40 cm. 8 kg. Agora está mais magro um pouco. Ah! E peludo...muito peludo.
Come de tudo, mas tudo mesmo! Principalmente comida de gente. Carne, biscoito, todas as frutas, acerola, tomate, pipoca, cebola, cenoura e por ai vai...o preferido dele é wafer, e de chocolate.
Já escrevi mil coisas sobre ele antes mas este é o primeiro que escrevo detalhadamente sobre o que ele significa pra mim. Ele é o filho que nunca tive.
Ele é o amigo que está ali 24 horas disposto a brincar. E se estiver dormindo, é só jogar uma bolinha perto dele que ele acorda instantaneamente.
Eu e ele temos uma ligação fora do comum. Algo meio que sobrenatural. Ele adoece quando eu adoeço. Ele pára de comer quando perco a fome, e só volta a comer quando eu, e apenas EU, pego um pouco de comidinha e lhe dou na boca.
O Luppy representa a minha família. Ele é um pouco de mãe quando me abraça todas as manhãs (não que a minha faça isso). Ele é um pouco pai quando fica com ciúmes de algum namorado que tenho e vira as costas como se indicasse que não quer papo “Cuidado com ela!”. Ele é psicólogo 24h, que me escuta a qualquer hora do dia ou da madrugada, mesmo pingando de sono. E é um travesseiro peludo quando preciso apenas deitar em cima e chorar.
Luppy já enfrentou de tudo. Uma vez quase afogou quando eu tinha uns 7 ou 8 anos e estávamos na roça. Estávamos andando sobre uma ponte e eu escorreguei e cai no rio. Mesmo eu pedindo pra ele ficar e não pular, ele pulou e veio em minha direção. Tão pequenininho e disposto a salvar a minha vida. Isso pra mim não tem preço.
Quando ficou mais velho, foi envenenado. Ficou em “coma” por um bom tempo, e todos mandaram sacrificar. Lembro que meu pai já tinha um amigo que faria o “serviço” usando um 38. Não agüentei ouvir isso. Como eu era criança ainda, peguei uma foto dele e todos os dias pedia a papai-do-céu que o curasse. Ele era meu melhor brinquedo! Lembro que liguei chorando pro veterinário e pedi uma dica, uma luz que fosse, e ele me mandou dar leite, muito leite. Mas ele já não comia nem bebia. Comprei uma seringa enorme e injetava leite direto na boca dele. Assim ele sarou.
No início deste ano, a glândula perianal dele estourou. Meu Deus que tristeza! Com o diagnostico errado do veterinário, foram 4 dias dormindo ao lado dele.
Ele chorava como um bebê, como se me chamasse. E eu? Ficava lá de plantão a noite toda, passando a mão na barriguinha dele. Não que isso o tirasse a dor, mas o ajudava a vencer a agonia. Conseguimos tratá-lo com um veterinário que mais parecia um anjo. Depois foi só a medicação. 4 comprimidos por dia. E um spray e soro fisiólogico pra ferida fechar.
Hoje chegou minha vez de adoecer. Fiquei internada alguns dias, os quais foram os piores da minha vida. Quando sai do hospital, fui direto ao encontro dele. E emagreci 2 kg. Ele também. Estava fininho, parecia que só tinha pêlo. O pessoal lá de casa disse que ele não comeu enquanto eu estava fora. E quando cheguei em casa, a cena foi até engraçada: ele veio, pulou em mim, abraçou e beijou muito, e depois foi correndo pra vasilha de comida dele, onde comeu uns 5kg de ração direto rsrs...
Devido às circunstâncias, tive que viajar pra Belo Horizonte, pra acabar de me recuperar tanto fisicamente quanto psicologicamente. Depois de 3 dias veio a notícia: ele não estava comendo. E quando tentou comer algo, o dentinho dele caiu. Já mandei fazer um pingente pra mim.
Voltei de BH e foi a mesma cena. Beijos, abraços e comida!
Hoje ele adoeceu de novo. São exatamente 2:44h da manhã, e estou aqui ao lado dele digitando esse texto. A ferida dele se abriu de novo, e como a dor é grande ele chora. Quando está comigo não. Começou a sangrar de novo e a chorar de um jeitinho diferente.
Eu peguei ele no colo e disse: “Filhinho, a mamãe está aqui com você. Não vou te deixar sozinho de jeito nenhum, mas te peço pelo amor de Deus que não me deixe agora, eu não agüento. Você tem que se manter firme pra poder cuidar de mim, até eu sarar meu amor. A mamãe está aqui com você.”
Quando acabei de dizer isso, ele adormeceu feito uma criança, feito a minha criança, e eu agora voltei a digitar. Não vejo a hora de dar 8h da manhã pra ligar pro Dr. Hebert. São 3:30h agora.
Sei que Deus sabe que não agüento a morte dele. Dizem que Ele não nos dá um fardo maior do que agüentamos, mas sinto que já estou passando do limite.
Luppy perde o sono quando eu perco. Ele conhece meus passos. Ele sabe quando desconto alguma raiva nele e me perdoa em seguida. Da mesma forma que estoura comigo e eu também o perdôo.
Ele sente que o amo além de tudo neste planeta. Sabe que é meu neném, meu amor, meu confidente, meu tudo. Sabe que eu o protejo de secador de cabelo, foguete, liquidificador e tudo que faz barulho assim.
Exagero? Que se foda quem acha isso.
Parece que estou com o peito inflado como um balão. Olho pra ele e ele olha pra mim como se dissesse que não iria me deixar. E POR FAVOR NAO ME DEIXE!
Amo meu Luppy, e sei que ele me ama. Nossos corações de alguma forma estão ligados e enquanto eu tiver força, eu fornecerei algumas batidas do meu pra ele.
Peço a Deus que leve um pouco destes pesadelos embora agora. Só neste instante. Ele sabe do que estou falando. Minha vida em geral encontra-se embaralhada. Sempre fui uma pessoa forte demais e meu Luppy também.
O reflexo dele é um dos melhores que já vi. A gente brinca de futebol, eu chuto a ração pra ele é o meu melhor goleiro. Não deixa eu fazer um gol.
Quando tem alguma cachorrinha no portão o chamando, eu o espero ir. Ele chega no meio do caminho e eu o chamo. Sabe o que ele faz? Volta, volta pra mim. A fidelidade dele é algo incrível, e sei que daria a vida por mim.
Se ele pudesse falar algo, tenho certeza que falaria “Biby (é assim que ele me chama), eu não vou embora agora. Ficarei com você, pois sei que você está precisando. Ainda vou fazer alguns aniversários ao seu lado, te ver formar, ser seu padrinho de casamento já que você me prometeu isso e ver você ter seu primeiro filho... Aí sim, será hora de você me deixar partir”
Fabyola Gleyce
Fá, até agora estou com lágrimas nos olhos. Lembro da minha cadelinha que morreu e tive essa mesma sensação que você descreve. O peito inflado como um balão, e a gente ansiosa pra esvaziar.
ResponderExcluirVocê nos toca fundo, me fez chorar leno seu texto pois muito do que escreveu, parecia comigo e com a Lena, que era a a minha.
Obrigada por me fazer ter lembranças tão boas dela, e saiba que o seu não vai morrer poque ele sente o carinho e amor que você dá pra ele.
Abração linda, adoro você demais.
Lindo o post... é assim que eu fico com quem eu gosto demais, mesmo que seja uma cadelinha! Me dá até um aperto de pensar que a qualquer hora ela pode nos dar aquele susto e nos deixar sem aviso nem nada... Tudo de bom pra você e pro Luppy também... É, ele já fez cara feia pra mim várias vezes, mas tá perdoado!! rsrs bjusss ♥
ResponderExcluirEsse eu chorei...
ResponderExcluirprofundo linda, quem nunca teve um animal de estimação que amasse tanto quanto vc ama seu cachorrinho?
Adorei vc.
"Existe no planeta algum ser que respire que te faça se sentir especial todos os dias e todas as horas e minutos?"
ResponderExcluirPergunta perfeita e minha resposta seria a mesma da sua. Meu Alfred,
8 aninhos e m super companheiro.
Fabyola, eu que não tenho paciência com leitura, me viciei no seu blog. Embora seja triste em algumas partes (muitas), nada passa do que é real, e as vezes a dor é tamanha que temos que desabafar mesmo! E no seu caso já vi que a escrita é melhor remédio.
Um grande beijo, e saiba que ganhou um fã
ô Vi, num vem não que a Princesa já avançou em mim mil vezes kkkkk....ela é a cadelinha salsicha mais brava que já vi, Daqui a pouco
ResponderExcluirfaço um cachorro quente com ela....
Amo vc meu amigo
Galera, muitissimo obrigado pelas palavrinhas...isso é o que me incentiva escrever...escrever qualquer coisa...só por escrever,
ResponderExcluirAchei legal a galera comentar mais no texto do Luppy. Por ser um texto tão pessoal, achei que não ia tocar ninguém, mas a gente sempre acaba se identificando,
Quisera eu escrever um enciclopédia sobre ele. Histórias não iam faltar.
Obrigada mesmo!