segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quando os fantasmas não calam

22h.
Mais o término de um dia terrível e percorro ansiosamente o percurso até o local onde minha rotina diária deveria encerrar-se: minha cama.
Coloco uma roupa leve, penteio os cabelos e me lembro que não troquei o lençol hoje.
Pacientemente, troco o lençol, coloco fronhas limpas e espero que meu relógio biológico se desligue.
23h e o sono não vem.
Algo me incomoda. Ah sim! A vizinha mais uma vez esqueceu a luz da varanda acesa, e esta –Meu Deus!- vem direto aos meus olhos. Fácil! Pego minha venda preta e a coloco. Agora sim eu pego no sono.
O relógio dá mais uma volta. Meia-noite. E eu começo a ouvir alguns ruídos no meu quarto. Aiaiai...ainda avisei a minha mãe para chamar o dedetizador. Deixa... amanhã resolvo isso. Lembro do tapa-ouvidos que meu pai trouxe de presente da usina pra mim. Aliás, um dos melhores presentes que já recebi. Coloquei-os.
Pronto! Agora sim, eu posso dormir em paz. Ambiente escuro, lençóis limpos, ausência de ruídos. Perfeito.
Na expectativa de mergulhar em um sono profundo, esqueço-me completamente de como minha serotonina implora para ser reposta. Começa-se então um tic-tac sem fim.
Onde encontro esse maldito relógio? Um teatro infernal começa a surgir. Ouço algum choro ao longe. Não reconheço a voz. Começo a me lembrar de detalhes sem importância. Abracei meu cachorro hoje? Meu desktop está uma bagunça! Tenho que aprender a formatar um Mac.
Será que se eu tivesse descartado o três de copas ao invés do As de espada, eu teria batido? Nossa... tomei o remédio na hora errada.
Nesta noite insônica, meus fantasmas não calam.
Deus, pare meu cérebro, eu quero descer...

Fabyola Gleyce

Um comentário:

  1. Esse eu achei triste, embora interessante....quem nunca sofreu de uma insonia interminável?

    Abraços querida

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