Peguei na estante
Um livro empoeirado,
Já gasto e velho pelo tempo
E por mera curiosidade,
O abri de forma aleatória.
A página aberta foi a oito
E as palavras, escritas em português arcaico
Dificultavam a leitura.
Reparei que, o restante do livro
Era composto por páginas brancas,
Como se esperassem serem escritas.
Soprei a poeira, e um pedaço de papel
Velho e rasgado veio ao chão.
Com a ajuda de uma lupa,
Consegui ler apenas um trecho,
O qual transcrevo agora
Talvez não sendo tão fiel a realidade:
“...entreta-te da razão
e não preocupe-se com as páginas brancas.
Elas são suas, e as já escritas
Não são nada além de seu passado.
Esqueça paixões que exaltam a voz
Ou invejas que dão movimentos demais aos olhos
Elas servem para lhe encher o livro apenas.
Nada além disso.
Sua vida é feita assim,
Como este velho livro.
Cheio de páginas brancas
Algumas preenchidas, outras não.
Lembrar-te-á de mim depois,
Sem que minha lembrança te fira
Pois nunca fostes nada além de uma criança.
Porque as páginas deste velho livro
Contém sim, alguma sabedoria
que mais tarde saberás como usá-la
mas este amontoado de folhas, em si,
nada mais é que um velho livro
numa estante.”
Fabyola Gleyce
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