sexta-feira, 30 de julho de 2010

Meus dois lados


Ultimamente tenho pensado muito sobre mim mesma, e percebi que tenho exatamente dois lados: um lado menina e um lado mulher.
Analisando minhas atitudes em diversas situações, pude ver claramente uma mulher adulta em diversos momentos, mas vi também uma criança dentro desta adulta que teimava em não crescer nunca.
É como se eu não quisesse virar adulta por completo, como se eu quisesse conservar em mim este lado mais menina.
Sou uma verdadeira criança quando vejo um bichinho de estimação e me apaixono quase instantaneamente e faço pirraça pros meus pais deixarem eu comprar. Mas sou adulta quando ele começa a sofrer demais e tenho que tomar a séria decisão de mandar sacrificá-lo.
Sou uma adulta quando atendo algum cliente com o maior profissionalismo do mundo que deseja algum tipo de arte dessas feitas no photoshop mesmo para sua empresa, mas me transformo numa verdadeira criança quando imagino que as ferramentas do programa são baldes de tintas e materiais para fazer artesanato com os quais eu posso sujar as mãos e fazer a maior bagunça.
Sou uma adulta quando discuto com meus pais sobre a questão da minha liberdade, mas uma criança quando corro pra cama deles de madrugada quando tenho algum sonho ruim.
Sou uma verdadeira criança quando me apaixono por alguém, e então escrevo cartinhas de amor, faço um caderninho de fotos e converso igual criança perto da pessoa amada. Mas uma verdadeira adulta ao saber admitir que a relação acabou, e mesmo sofrendo, erguer a cabeça e dizer: “Eu perdi, e agora a vida continua”.
Sou uma verdadeira criança quando sonho, quando tenho milhões de coisas na cabeça e quero realizá-las, como quando eu tinha uns cinco anos e dizia que quando eu crescesse eu teria uma moto, porque a minha motoquinha de plástico estava ficando pequena pra mim. E no entanto me transformo numa adulta quando tomo algum tombo na moto que consegui comprar, e penso que talvez seria melhor ter continuado com a motoquinha de plástico mesmo.
Sou uma criança quando vejo milhões de coisas gostosas de comer e quero comê-las quase todas ao mesmo tempo, mas uma adulta quando vejo que tenho que fazer algum tipo de exercício físico pra queimar as milhares de calorias consumidas.
Poderia citar aqui sem pensar muito milhões de situações em que a fusão menina-adulta se decompões em duas coisas muito diferentes: uma menina e uma adulta.
A menina que existe em mim é essa ai da parte de cima do meu blog rodeada por desenhos infantis sorrindo sempre. E a adulta é a que fez a arte, mesmo não me sentindo assim sempre.
Eu teimo em não crescer. Ser adulto é chato, por isso sempre conservo esse meu lado criança que alguns percebem com mais facilidade. Ser criança é não preocupar tanto com os problemas do mundo, é sempre ter um bichinho pra cuidar e ter o dom de perdoar instantaneamente. É sempre estar pronta para um abraço mesmo depois de uma bronca –ou no caso dos adultos, decepção- daquelas. É sorrir sempre e dizer “sim” para a vida, mesmo com a dúvida do amanhã.
E ser adulta é...hum...ser adulta é ser adulta oras...
Por isso prefiro a fusão menina-mulher-adulta. É mais interessante e mais gostoso ter os dois lados. A diversidade de situações enfrentadas é muito maior e a maneira como a gente as encara depende de qual lado está em evidência.
Pra mim, o fato de ora ser menina e ora ser adulta depende apenas de uma coisa: meu estado de espírito. Por isso prefiro na maioria das vezes encarar o mundo como se fosse uma criança. É mais colorido, mas cheio de vida, mais feliz. E o mundo adulto é mais cinza, sem graça.
Mas tem uma vantagem: o adulto aprende com as situações enquanto as crianças só as contorna. Por isso, como já disse, prefiro a minha fusão.
Hoje quero conquistar o mundo com a minha energia de criança. Mas precisarei da minha inteligência de adulta para arquitetar planos para fazer tal fato acontecer.
Mas amanhã eu faço isso. Por hoje, já fiz coisas demais.

Fabyola Gleyce

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