
Hoje, passando na rua ouvi uma música daquelas que não me atraem nem um pouco. Era um sertanejo, e ainda por cima daqueles que te fazem querer se enforcar na hora em que se está sentindo falta de alguém.
Lembrei-me de momentos bons, nos quais essa maldita música estava presente e comecei a pensar em algumas coisas que estava sentindo falta.
Lembrei de um amor, de um tempo bom. Lembrei de como ele tirava o cabelo do meu rosto enquanto conversava comigo. Lembrei de como me olhava atento ao fazer a maquiagem pra sairmos juntos e ainda dava palpites comparando com o Photoshop. A base era o efeito “median”.
Lembrei de abraços e promessas de amor eterno que da minha parte eram sim verdadeiros. Ou de quando ficávamos de manhã cedinho no Parque Ipanema, depois de uma noite juntos, olhando o lago e tirando fotos minhas e dos cisnes que passavam. Lembrei de como segurava minha mão enquanto estava dirigindo e de como sabia direitinho o picolé de uva que eu mais amava.
Lembrei dele. Do jeito dele.
Estranho que por mais que estejamos inteiramente de bem com a gente mesmo, um amor quando é de verdade faz falta. Faz falta também não saber do pensamento do outro. É tempo? Ou acabou? Espero ou declaro o luto?
Antes eu tinha vergonha de falar que sofria por amor. Hoje não tenho. Quem nunca sofreu de amor é um ser vazio ou no mínimo orgulhoso. Lembrei de músicas do Nando Reis. Lembrei da barba dele muito bem feita ao vir me encontrar. E digo sim, que senti saudades.
Amar não é fácil. Cada amor que passa em nossa vida é uma nova experiência. Leva e acrescenta muita coisa. E no meu caso, ganhei muito. Ganhei pra mim mesmo. A vontade de melhorar, de me tornar uma pessoa melhor, de me dedicar e de querer ser a melhor namorada veio daí. Por amar. Talvez amar a mim mesma, e dar um pouco deste amor ao próximo.
Já chorei muito. Ainda choro as vezes. Mas é um choro bom. Um choro de dever cumprido. De orgulho de poder dizer “Eu fiz o meu melhor, o resto é o tempo. O tempo e Deus”.
Incrível como as coisas fluíram bem quando decidi entregar tudo nas mãos Dele. Além de cicatrizar meu coraçãozinho, meu deu um presente enorme que mais tarde contarei o que é. Merece um texto super especial isso.
Escrevi isto mesmo pra desabafar. Um relacionamento é feito por duas pessoas. Uma só lutar sozinha é impossível. Lembro uma vez que implorei “Me ajuda”, e fui praticamente ignorada. Também o contexto não ajudava. Mas isso doeu.
Eu nunca tive escudos. E acho que nem se tivesse usaria contra uma pessoa que digo que amo. Mas cada ser é único. E essa diversidade é que faz um encontro ser interessante.
Achar uma alma gêmea não é fácil. E quando você pensa que achou e depois vê que talvez pode não ser aquilo, é dolorido.
Mas não tenho vergonha. Amei, amo e me sinto completa. Estou disposta a esperar pois passamos pela pior fase da nossa vida juntos há pouco tempo. Respeito isso. Surtei no inicio? Claro! Sou mulher ora bolas...
Pensar em achar outra pessoa que te conhece bem, conhece seus gostos, seu corpo, suas manias, eu não penso. Acho que isso faz parte do que definimos “amor”.
Mas digo também sem titubear, que se antes um relacionamento era essencial para a minha sobrevivência, hoje é um complemento. Muito importante, mas um complemento.
O essencial sou eu. Sou eu me sentir bem comigo mesma e além disto, me bastar. E isto eu estou conseguindo. Hoje me amo acima de tudo. E quero alguém que me complemente. Por isso espero. Sem ansiedade, sem medo.
Me amo demais para ter que parar minha vida como já fiz tantas vezes.
O dia que minha metade aparecer, estarei esperando. Metade não. Um terço.
Um terço sou, e o restante Deus, que neste momento mais difícil, tem sido meu melhor relacionamento.
Fabyola Gleyce
Não sei quem é o bobo que faz uma pessoa como vc esperar...deixa de ser boba q homem é tudo igual
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