terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Estação (um pouco abstrata)


O outono passou...
E eu imersa no meu plano primaveril
Invento mais uma estação do ano
Que traduza parte
De certas palavras
Pseudo-semânticas
Traçadas ao redor de uma estrofe.
O verão se aproxima,
Mas um ar gélido
Paira sobre o ar de tal forma
Que faz-me refletir
Sobre as diversas sensações
Possíveis de serem sentidas
Em um tão curto
Espaço de tempo.
Quando propus
Ao tempo que me desse parte da manhã
E ele me respondeu
Com um sopro forte,
Indicando que meu pedido era
Fora do realizável,
Frustrei-me.
E roubei parte de sua aurora,
(como forma de vingança somente...)
Quando entardeceu,
E eu lá simples menina
cuidando de remos e barcos,
vi que a manhã,
antes tão almejada por mim,
passou despercebida,
e eu inerte,
arrumando meu baú de passados,
não me dei conta quando
um bem-te-vi pousou ao meu lado,
me convidando a compor uma canção
tendo como trilha sonora
apenas aquele barulho singelo
no qual se traduzem o canto dos pássaros.
Comecei então
A compor a melodia da minha vida,
Ou pelo menos daquele pedacinho de tempo,
Que sem que eu precisasse pedir,
Ganhei de presente.
Lembro-me bem,
Que tinha uma tela
Tamanho 30 por 40
E uma única lata de tinta,
Dentro da qual haviam
Os mesmos tons de uma certa aurora
Que há um tempo atrás,
eu havia roubado do Tempo.
Inexperiente artista,
Comecei a tingi-la.
E a tela virgem-pálida,
Logo foi dando origem a
Um céu, a um sol, a...
Não sei.
Uma paisagem meio Vangoghiana
(ou algo assim).
Vi que havia um espaço vago.
Um pequeno espaço,
Onde não cabia cores, nem versos,
Nem mesmo palavras soltas.
Então vi,
Que por trás de qualquer marca, ou mancha,
Ou borrões de tinta,
Havia o tempo
E que o tempo passa,
Logo o que fica
É história.
E aquele pedacinho em branco,
Representava
O meu pedacinho de tempo
Onde eu não havia contado estrelas pra dormir,
(Coisas de menina que não aprendeu a crescer...).
E que indicava que ainda havia uma manhã
E outro dia, e outros dias...
E que naquela noite, eu não precisava
Preencher aquele pedaço vazio.
Eu era apenas, namorada da Lua.
E a poesia era meu único véu,
talvez resquício de uma infância
que insiste em bater à porta
da minha redoma contra ilusões.

Fabyola Gleyce

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